Em tese, um certo sumiço na virada do ano é coisa normal, mas acho que passei do ponto. Não foi por querer que fiquei desconectado durante as últimas semanas, e nesse meio-tempo houve muito assunto para deixar uma palavra por aqui, e não pude fazê-lo. Pouco a pouco, espero retomar o ritmo normal de postagens. O primeiro tema que ficou em suspenso é a continuação do texto sobre Der Baader Meinhof Komplex. E, como demorei tanto, acho que terei de aproveitar para desdobrar o assunto em três. Primeiro, este neste texto, sobre a polícia e os cascudos que só ela sabe dar. Depois, mais dois, não sei ainda em que ordem, mas um falará das músicas que são tocadas no filme e o fenômeno da Indústria Cultural, primeiramente evocado por filósofos, que coincidência, alemães. O outro aproveitará, se é que esse verbo é apropriado num momento como este, o gancho da ofensiva israelense contra o perigosíssimo território de Gaza atrás dos terroristas do Hamas… enfim, o conceito de terrorista é qualquer coisa que precisa de fato ser pensado mais profundamente.
E para ressuscitar este espaço, nada melhor do que um texto que, apesar de indiretamente, recupera alguns pontos que deixei passar em 2008. São efemérides como os quarenta anos de todas as coisas grandiosas que aconteceram em 68 (maio de Sorbonne e Nanterre, agosto de Praga, dezembro de Cinelândia e Brasília), e bem que gostaria de encaixar aqui a morte de Harold Pinter, que eu deveria ter comentado e não comentei, e os centenários de Claude Lévi-Strauss e Manoel de Oliveira… mas não vai ser possível.
Fico, então, com as brigas de quarenta (e um) anos atrás para começar meu assunto. Nem preciso dizer, essa série de eventos interligados são uma das raízes do grupo revolucionário e, mais tarde, terrorista alemão. De fato, Der Baader Meinhof Komplex mostra bem como surgiu o bando: no dia 2 de junho de 1967, durante uma manifestação até então pacífica contra o xá Reza Pahlavi, em visita a Berlim, um policial à paisana atirou pelas costas, ou seja, executou o estudante de literatura Benno Ohnesorg, de 26 anos, pai de uma criança, que morreu no mesmo instante.
Estudantes mortos
Mas Ohnesorg provavelmente não foi o primeiro e certamente não foi o único estudante morto nesse tempo que ficaria conhecido como início dos “anos de chumbo”. No Brasil, tivemos Edson Luís de Lima Souto, de 16 anos, cujo assassinato por um policial acabou resultando na célebre Passeata dos Cem Mil de 26 de junho de 1968. Em 2 de outubro, a famosa guerra da Maria Antônia, entre estudantes da USP e do Mackenzie (esses últimos reforçados por jovens encorpados que eram tudo, menos estudantes) também deixou sua vítima, de nome José Guimarães, secundarista e pintor de 20 anos. As famosas prisões de Ibiúna, a propósito, aconteceram dez dias mais tarde.
No mesmo 2 de outubro, uma manifestação estudantil na Plaza de las Tres Culturas, Cidade do México, foi reprimida pelas forças unidas da polícia e do exército com saraivadas repetidas de balas que deixaram um número indeterminado de mortos. A estimativa mais razoável diz que pereceram 400 pessoas, contando não apenas os manifestantes, mas também as pessoas que apenas passavam pelo local. Aliás, o pequeno incidente não chegou a perturbar o funcionamento das Olimpíadas na cidade, poucas semanas depois. Em fevereiro, dois meses antes do assassinato de Martin Luther King e quatro meses antes do de Robert Kennedy, durante uma manifestação na Carolina do Sul pelos direitos civis, três estudantes foram baleados e mortos por, exatamente, policiais. E por aí vai.
Estudantes e policiais se enfrentaram ao redor do mundo, com ou sem mortes, pelos anos seguintes. Nada, claro, como o 68 que, até hoje, ainda faz muitos olhos brilharem, com a Primavera de Praga, a ocupação das universidades em Roma, as palavras de ordem dos jovens de Nanterre e da Sorbonne, criativos como nem os mais prestigiosos publicitários chegam a ser: “Sous le pavé, la plage” (debaixo das pedras, a praia, numa tradução péssima), “soyez réalistes, demandez l’impossible” (sejam realistas, exijam o impossível), “exagérer, c’est commencer à inventer” (exagerar é começar a inventar). Essa garotada, tão boa com as palavras, cheia de idéias e ideais, encheu Paris de barricadas e respondeu ao gás lacrimogêneo com os paralelepípedos que arrancava do chão. Apanharam, apanharam feio. Tudo acabou voltando ao normal. A prefeitura, prudente, cobriu suas ruas de asfalto. Mas os suspiros dos saudosos ainda ecoam.
Tudo isso para mostrar que foi qualquer coisa, menos um caso isolado, a morte de Benno Ohnesorg, o jovem alemão de sobrenome tão sugestivo. Que foram tempos duros, não se pode negar, mesmo que as causas ainda sejam motivo de disputa. Resta que a violência era disseminada através de um mundo povoado por governos que, dos dois lados da Cortina de Ferro, temiam revoluções; jovens perplexos com a cultura de massas que já dava os primeiros sinais do que seria o sistema de ensino industrial e rasteiro de hoje; trabalhadores que, por um lado, eram seduzidos pela mensagem soviética e, por outro, tinham um poder de reivindicação e de compra sem par; grupos minoritários começando a exigir reconhecimento e direitos, na esteira do sentimento de culpa mundial com o antissemitismo (agora tem que ser assim? Com o s dobrado em vez de hífen?) que conduziu ao Holocausto.
O que parece…
Trocando em miúdos, parece que essa era uma época em que um volume significativo de pessoas estava disposta a brigar, bater e apanhar, fosse por uma causa, pelo reconhecimento de seus direitos, por uma melhor remuneração do trabalho, pela liberdade de expressão, enfim, fosse pelo que fosse. Parece, também, que do outro lado havia uma força de segurança disposta a baixar o sarrafo, em bom português, e jamais recuar. Parece que o Poder, do fundo dos palácios, temia com tanta força ser desalojado que não se importava de soltar a cavalaria e a tropa de choque contra sua própria população. Parece que o direito de se expressar livremente não era considerado com muita seriedade, nem de um lado, nem de outro do Muro de Berlim. Parece que a idéia por trás da polícia, naqueles tempos, não era tanto a de coibir a criminalidade, mas apenas manter as gentes sob controle, como se vê, por exemplo, na caricatura francesa em que um policial do CRS (o batalhão de choque) carrega no escudo a insígnia das SS nazistas.
Por outro ponto de vista, parece que o mundo aprendeu algo desde então. Parece que nos tornamos mais livres e mais conscientes. Parece que a ilusão comunista caiu com a União Soviética e o mundo quase todo obteve o direito sagrado de pensar e desejar as mesmas coisas, sempre. Parece que a polícia não exerce mais aquela função de pôr na linha as pessoas que parecem discordar. E ainda, mesmo que continue violenta e opressiva, parece que as forças policiais estão concentradas em lutar contra o crime ou o que, para a opinião pública, parece crime. Parece que os policiais não são mais assustadores como eram naquele tempo em que, não raro, se comportavam como os fascistas da geração anterior. Parece que as pessoas não têm mais contra o que protestar, resolvidas que estão as contradições do mundo, no grande abraço sensual do consumo e da competição. Parece que a única ameaça para nossa tranqüilidade vem de fanáticos barbudos.
… mas não é.
Acontece que encontrei em algum canto da internet as imagens acima (vi algumas maravilhosas numa exposição do fotógrafo turco Göksin Sipahioglu, mas elas não estão em domínio público). Os distintos homens de gravata que aparecem aí são os temidos CRS que enfrentaram a fúria estudantil da Sorbonne em maio de 68. Lançaram bombas de gás lacrimogêneo, deram bordoadas em rapazes e moças, sendo que no começo nem sabiam ao certo o que estava acontecendo (um policial chega a relatar que a viatura recebia ordens contraditórias no caminho para as barricadas). Foram ironizados pelos slogans dos estudantes e acabaram caricaturados como soldados das SS nazistas, mas deram conta do recado. Nenhuma Bastilha caiu naquela primavera.
Esses sujeitos de olhar fuzilante e ameaçador eram os agentes da opressão nos violentos tempos de nossos pais, em que o equilíbrio do mundo ameaçava ruir por um sopro e a qualquer momento um líder mundial poderia decretar a aniquilação do planeta, como vemos em filmes como Dr. Fantástico (odeio essa tradução). E já que estamos nesse pé, eu me pergunto que aparência têm os agentes da ordem nesses nossos tempos sem “ameaça comunista”, em que os estudantes temem demais o desemprego para pensar em protestos, em que não há mais grupos armados de esquerda ou agentes soviéticos infiltrados. Pois bem, ei-los, os mesmos CRS, quarenta anos mais tarde:
Foram-se as gravatas, os paletós bem cortados, os elmos projetados por alguma estilista, os cassetetes de meio metro. No lugar, o que vemos são máscaras de gás, capacetes grossos, caneleiras acolchoadas, cassetetes com tasers, uniformes ultra-cibernéticos que, se me disserem que ricocheteiam balas, não vou duvidar. Os rapazes da fotografia, que, pensando bem, não deixam um centímetro de pele à mostra e bem poderiam ser andróides - com o perdão da analogia fantasiosa -, não foram enviados para alguma guerra distante, como salvadores do mundo ou dos valores democráticos ocidentais (ideais republicanos, diriam os franceses).
Todas essas imagens foram feitas em Paris, algumas durante manifestações de jovens do subúrbio contra o recentemente eleito Nicolas Sarkozy; outras durante as greves estudantis de 2005 contra uma reforma do sistema universitário que parecia projetada por Bush; e uma única por ocasião de um mui irônico evento em que os CRS foram chamados para dar uma coça nos bombeiros em greve: não parece uma guerra de ciborgues?
Bem se vê por essas imagens que, não, a polícia não está menos disposta a dar bordoadas do que há quarenta anos. Não, não estamos mais razoáveis. Não, o mundo não se tornou mais seguro. Não, o poder não se sente mais garantido. Não, não era apenas como resposta e prevenção ao perigo soviético que a polícia (e as forças armadas, por sinal) estavam de sobreaviso para dar cascudos. Não, as contradições não estão resolvidas. Não, ainda falta muito para que as pessoas deixem de ter contra o que protestar.
Revejo a caricatura dos CRS retratados como agentes das SS e sou tomado por sentimentos contraditórios. Por um lado, o respeito que sempre se deve à História, cujos fatos merecem ser apreendidos em sua própria dimensão, sem o olhar condescendente, mas distorcido, do futuro. Por outro, a impressão de que os batalhões de choque deste início de século são infinitamente mais parecidos com a SS em termos de violência do que os engravatados de quarenta anos atrás.
Por algum motivo, e essa questão é certamente mais importante do que pode parecer, a polícia sabe ser um instrumento de dissuasão até melhor do que naquele tempo. Tem mais poder de fogo, mais proteção e, a julgar pelas imagens em que três ou quatro policiais são necessários para segurar um manifestante, tem também mais efetivo. A princípio, isso parece estranho, considerando que o inimigo, ao que sabemos, abandonou o certame. Estamos carecas de saber que as atenções de quem tem por função “manter a ordem pública” estão há muito voltadas para outra direção, não mais os jovens rebeldes do Quartier Latin, mas os filhos de imigrantes do subúrbio. Já os estudantes, que outrora corriam o risco de se deixar abater em batalhas urbanas, não têm mais a mesma disposição para a briga. Certo dia, topei com alguns que tentaram bloquear a entrada de sua faculdade, ao norte de Paris: bastou a polícia chegar para que eles mesmos desfizessem a barreira. Se algum desses garotos for filho de alguém de 68, é certamente a vergonha da família.
A pergunta passa a ser, portanto: se a polícia não mudou de postura e até a intensificou, o que aconteceu do lado dos estudantes para que eles não se disponham a arriscar o pescoço em barricadas? Por que as tensões não chegam mais às vias de fato, ou antes chegam tão raramente, como foi neste ano na Grécia, cujos estudantes revoltados mereceram os aplausos e muitas pichações de apoio nos muros da França, feitas por estudantes que gostariam muito, mas não têm a mesma força de vontade?
Não tenho resposta para nenhuma dessas perguntas, mas o mero gesto de formulá-las talvez já ajude a esclarecer que há algo de muito profundo que diferencia os jovens de hoje dos de quarenta anos atrás. Eu gostaria de saber, por exemplo, o que fez com que uns fossem de um jeito e outros, de outro. Acho que a resposta passa pela noção de indústria cultural, mas isso, como já mencionei acima, é questão para outro texto.
Para uma lista de slogans de 1968, clique aqui.










































on Jan 15th, 2009 at 11:59 am
Também não tenho as respostas. Parece que o enfrentamento está deixando de ser a resposta. Pelo menos, no meu caso, na minha experiência pessoal. E poder-se-ia generalizar para muitas dimensões da vida, não apenas no caso dos protestos estudantis. Parece uma tendência que, lentamente vai se infiltrando em nossa humanidade. O conflito em Gaza é só para criar um contraste. E, além do mais, aquilo ali é o que tem de mais antigo e pesado neste mundo. Até o petróleo, que é uma coisa velha. O mundo é civilizado como nunca o foi antes. Esse ano que passou li, pela primeira vez, Os Miseráveis. Estendi a tua comparação até àquelas revoltas de 1830 que Victor Hugo traz nas páginas de seu livro. Ali, a polícia não dava porrada, matava mesmo. E os jovens estudantes se martirizavam. Era muita ideologia. Ou sei lá, loucura mesmo. Lembro o menino Gavroche saltitando em meio às balas.
Veja o caso do presidente Lula. Toma porrada da oposição o tempo todo. Não retruca. E as coisas vão dando certo.
Não sei, mas aquela lei de Newton nunca esteve tão certa. Quando a gente faz força, uma outra contrária aparece, de igual intensidade. Não é algo assim?
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on Jan 15th, 2009 at 10:05 pm
@josaphat, não sei se ausência de confronto é indicador de civilização. Talvez fosse, se o fenômeno fosse bilateral. Se, por um lado, não houvesse barricadas e, por outro, não houvesse armários com cassetetes, escudos e toda a aparelhagem. Seria um símbolo de que a repressão não seria mais necessária, já que a tirania teria sido deixada para trás. Mas o fato é que existe uma legião armada até os dentes e pronta para não deixar nada acontecer antes mesmo que a primeira fagulha se acenda.
O que esqueci de dizer no texto, mas é importantíssimo, é que esses policiais de macacão escuro e metralhadora na mão estão por toda parte, não só nas manifestações, mas até na gestão do trânsito. Mais de uma vez, vi um sujeito sendo multado na rua por QUATRO figuras atarracadas dessas. É por isso que não posso concordar que o conflito tenha sido superado, que ele não aconteça mais por alguma espécie de conquista civilizatória. Ao contrário, vejo que um dos lados desse ex-conflito ainda está com a guarda bem erguida, constantemente, e de olho bem aberto para descer o cacete antes que a coisa “saia do controle”.
Se a segunda lei de Newton for mesmo aplicável à questão dos enfrentamentos sociais, podemos esperar problemas grossos, muito grossos nos próximos anos. Ainda mais com essa crise, que joga neguinho no desespero.
O caso do presidente Lula é outro, na minha opinião. Ele não reage aos ataques da imprensa porque, primeiro, sabe que ninguém leva a sério a imprensa brasileira; segundo, porque sabe que brasileiro tem memória curta e facilidade em perdoar deslizes; terceiro, por causa da velha máxima: “it’s the economy, stupid”… enquanto a economia for bem, não vale a pena entrar em picuinhas, porque nada vai grudar.
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on Jan 16th, 2009 at 11:56 am
Diego,
historicamente os estudantes sempre foram usados por grupos, de esquuerda ou direita ou extremistas e tantos outros em situações diversas, como lutas patrioticas, pela liberdade,em protestos honestos ou mil outros motivos serios,bobos ou desonestos, os jovens são idealistas,influenciaveis,um discurso bem engendrado os inflamam, não sei se sou injusto ou apenas alienado, eu particlarmente não sou de me juntar a grupos, partidos ou torcidas, sou frio e calculo bem os riscos e pouco confio em lideres carismaticos, eu por atavismo judaico briguei muito e solo com os “inimigos”, e se enfrentei duas ou três vezes policiais foi em causa propria, é meu jeito, é minha natureza,mas o que sei e no que acredito é quem “anda na chuva acaba molhado”, enfrentamente qualquer que seja o motivo sempre deixa vitimas no asfalto, coisa bobas e idiotas com brigas de torcidas de futebol derramam sangue,e mesmo em familia desavenças muitas vezes são desastrosas,o ser humano é violento, isso é uma verdade absoluta, o dialogo seria desejavel, mas Diego me permita entrar num assunto bastante doloroso pra mim, quando os nazistas deixaram bem claro seus propositos de aniquilar os judeus,entidades judaicas representativas tentaram negociar com os nazistas, os judeus são assim, não são violentos, sempre viveram tentando o entendimentos, e os nazistas conheciam bem a natureza dos judeus, prometiam e não cumpriam, oproveitavam esse aspecto da “covardia” e avançavam civilizados conversando enquanto organizavam friamente com competência a “solução final” e os judeus por serem judeus continuavam a acreditar que os chuveiros eram de fato chueveiros e não camâras de gas, e morreram sem resisitir, e o mundo se pergunta e eu também e Hannah Arendt idem, com podiam perecer milhões sem resistir a “policia SS” e agora que os israelitas são israelenses e combatem são condenados e a midia berra, mas esquecem dos masacres africanos, da Somalia, do tibete…desculpe, me afastei do topico do seu texto…não tenho muito ou como opinar, nunca estive de trás das barricadas
abraço
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on Jan 16th, 2009 at 2:18 pm
Iosif, todos os massacres são condenáveis, inclusive o que o estado de Israel promove contra os palestinos. Como no caso do massacre de Ruanda e do Sudão, até agora ningupem fez nada para o massacre aos palestinos parar. Acho que a solução adotada por Israel é péssimo para os israelenses. enquanto as experiências dolorosas não se comunicarem, não haverá paz.
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on Jan 17th, 2009 at 11:37 am
@Tiago Mesquita,
Pois é, concordo com o que escreveu ao iosip. E estou convencida de que, usando esta estratégia, o Estado de Israel certamente trabalha contra seus próprios interesses.
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on Jan 17th, 2009 at 11:41 am
meu caro Tiago,
existem debates sobre assuntos sem solução, e a luta de Israel com Hamas e Hezbolah talvez seja um deles, guerra significa morte e destruição e nunca jamais a midia alardeou com tanto “gosto” fotos trágicas, o que a mídia nunca fez em relação a outros “terrores”, como a guerra criminosa da França na Argelia,na Indochina,dos horrores no Vietnã, do massarcre dos Curdos,e mesmo nunca condenando os “Aliados” nos bombardeios e masacres das cidades alemãs (e por que não?porque acharam que era uma guerra justa), e as bombas de Hiroshima e Nagasaki? mostrarm fostos de corpos, cadaveres? não, lógico que não, outra guerra justa, e eu como israelita tenho o direito de achar essa guerra de Israel com o Hamas como justa, não como retaliação, mas como sobrevivência, de um lado homens bomba e foguetes do outro tanques, e com israelita choro todas as mortes e sinto na minha alma que o fim será trágico para os israelenses, esse diminuto pais Israel é o ultimo baluarte
abraço
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on Jan 17th, 2009 at 10:49 pm
@iosif, a juventude é influenciável mesmo quando não há prosélitos a influenciá-los… Mas o mais curioso é observar que não só a juventude, mas todas as idades se deixam carregar por mensagens subliminares que nem seus emissores sabem que existem. Pensando bem, essa mesma rede de influências está na origem tanto dos enfrentamentos quanto da pasmaceira, sendo que, nesse último caso, a tensão acaba se desviando para outras válvulas: o futebol, por exemplo, que você tão bem deu como exemplo. Alienar-se ou participar acabam resultando na mesma frustração de se ver subsumir pelo cálculo puro que não dá nem pra saber quem está calculando…
Quanto à questão israelitas X nazistas, israelenses X Faixa de Gaza, esse é um assunto em que tenho muito pouca base para opinar. Mas me parece um tanto ingênuo querer atribuir a um grupo religioso (não direi étnico porque isso é muito controverso) um caráter de docilidade imanente. Sobre morrer sem resistir, tenho minhas dúvidas, haja visto o Gueto de Varsóvia, em que a resistência foi poderosa e tão heróica quanto pode ser a aniquilação de gente brava. Não sei o que tinham os nazistas de tão sedutor, mas todo mundo, não só os judeus mas todos os vizinhos, negociou com eles e com muito gosto.
Minha hipótese, aliás bem triste, é que muita gente “concordava” com Hitler, ou no mínimo achava útil aquele bando de fanáticos anti-comunistas. Muitos judeus da Alemanha nos anos 30 preferiam abrir mão de sua cidadania plena para não correr o risco de uma revolução socialista; quanto aos gois da Europa inteira, apertou prazeirosamente a mão de Hitler, fez concessões, deu-lhe territórios, não só por sua postura radicalmente anti-Soviética (a Alemanha era vista como uma espécie de colchão protetor contra os russos), mas também porque, como você bem sabe, franceses, ingleses, italianos, suíços, austríacos, escandinavos, enfim, todo mundo, sempre estiveram carregadíssimos de um enorme anti-semitismo. Deu no que deu.
Não concordo que a mídia dê pouca atenção aos massacres da África e da Ásia. Cá entre nós, a verdade é que o público não está nem um pouco preocupado com os massacres desses povos que consideram menores… O caso dos bombardeios na Faixa de Gaza é que ele erra o alvo inteiramente e tem motivos de fundo eleitoreiros… acho que isso é o que mais desagrada a opinião pública. Mas, honestamente, não estou preparado para discutir esse assunto.
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on Jan 17th, 2009 at 10:50 pm
@Fico feliz de ver que o debate por aqui pode se dar perfeitamente sem mim!
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on Jan 17th, 2009 at 10:56 pm
@iosif, discordo que a mídia esteja sendo excepcionalmente cruel nas imagens do bombardeio em Gaza. Na verdade, o primeiro momento em que a mídia teve recursos para mostrar tudo isso foi no Vietnã, e as fotos (e vídeos) são terríveis (aliás, as de Hiroshima também são, mas são posteriores). As imagens que chegavam do Vietnã foram um combustível enorme para os protestos pacifistas nos EUA nos anos 60-70. Desde então, todo exército sempre se esforçou para controlar o trabalho da imprensa, como faz Israel agora, diga-se de passagem. Mesmo assim, temos imagens inacreditáveis da Iugoslávia, do Sudão, do Congo, etc. Mais uma vez, acho que é o público que se interessa pouco por esses países periféricos…
Quanto a Israel, acho que o governo de lá está se metendo num beco sem saída. Demonstrações de força não vão mais adiantar porque a pressão demográfica vai ser forte demais. E não nos esqueçamos de que o dinheiro que pinga dos EUA vai diminuir bastante neste ano. Sabe Deus que raios vai se passar por lá. Eu certamente não tenho idéia, mas não vai ser bonito.
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on Jan 18th, 2009 at 12:24 am
Caro Iosif,nada justifica bombardeios a entidades internacionais,como a ONU. Posso estar enganado, mas até agora os procedimentos de Israel foram fermento para o acirramento do conflito. Não parecem buscar a paz. A reivindicação de recuo as fronteiras acordadas em 1967 parece bastante justa.
Agora, para ser bem honesto, não entendo esados religiosos, isso talvez seja uma deficiência minha, mas prefiro a livre circulação laica de pessoas. Para mim, cidadania devia ser dada pelo nascimento no solo ou para quem trabalha e produz riquezas para uma dada sociedade, não por origens religiosas ou étnicas.
desculpe-me a ignorãncia e um abraço
tiago
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on Jan 18th, 2009 at 11:07 am
Tiago,
peçoo desculpas ao Diego por abusar do espaço que lhe pertence. mas aproveito a gentileza dele e lhe sou grato pois aqui pessoas educadas que permitem sem agredir expor meu pensamentos “almáticos”, tenho idade suficiennte e bastante cansaço por ter vivido com certeza mais intensamente que muitos e respeitar opinião adversa sem zanga cega.O recuo as fronteira de 1967 foi executado, foram devolvidas as colinas de Golan, ao Egito o deserto de Sinai e pouco tempo atrás com a constituição do Estado Palestino a faixa de Gaza e Cisjordania(ainda não muito definida por causa dos “settlements” dos judeus), e quero lembrar - lhe que a própria Autooridade Palestina sofreu cisão interna, Hamas assumiu Gaza com animozidade,mas continuando,Gazza é um pequinissimo território superlotado e em constante ebulição ali entrincheirado o fanatismo “hamático” sem “território” definido, mesclado a população civil e como em todos os conflitos armados o risco de danos materiais e fisícos são inevitáveis, ONU aceita o risco e não esqueçamos que ONU também é guerreira (Afeganistão) e em Ruando e Congo e ex Jugoslavia colocou tropa pra que? só pra assistir? com que peroposito se não apenas propagandista e agora aproveita sua inoperância pra se fazer de vitima, colocar lenha na fogueira,e finalmente te confesso eu ser inimigo radical de religiões que são causas de todas as guerras, mas meu amigo,essa guera de Israel versus Hamas tem a origem sim na religião, mas agora continuo afirmar é uma luta pela sobrevivência
abraço
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Tiago Mesquita Reply:
January 28th, 2009 at 9:12 am
Iosif, temos que ser educados. Brigar por discordância é muito pouco. E se concordamos em algo é na necessidade de se buscar a convivência pacífica entre as pessoas que ocupam aquele território, não é?
abraço e obrigado pela prosa.
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on Jul 27th, 2009 at 10:46 am
[...] grupo de atores, grandes as cenas do tribunal. Este filme provocou um belo post de Diego Viana: No tempo em que a polícia batia. Foi escrito em janeiro, antes da polícia do Serra entrar na [...]